Economia circular avança na indústria

Máquina extrusora recicladora, operando desde 2021, já reintegrou cerca de 1.200 toneladas de resíduos plásticos à produção da empresa (Crédito: Divulgação)

Economia circular avança na indústria

Mais da metade das companhias brasileiras implementam ao menos uma prática de economia circular; no ABC paulista, por exemplo, Maximu’s Embalagens Especiais transforma 100% das sobras de produção em matéria-prima para novos produtos.

Novembro de 2026 – Seis em cada dez empresas da indústria brasileira (57%) implementam ao menos uma prática de economia circular em seus processos produtivos. O dado é da Sondagem Especial nº 102 – Economia Circular 2026, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), que aponta o avanço de iniciativas voltadas ao reaproveitamento de materiais e à redução de resíduos no setor produtivo.

Apesar desse movimento, alguns segmentos ainda enfrentam desafios para ampliar o uso de insumos reciclados. A indústria automotiva, por exemplo, utilizou 66 mil toneladas de plástico reciclado pós-consumo em 2025. O volume representa uma queda em relação às 67 mil toneladas registradas em 2024 e mantém uma trajetória de retração iniciada após dois anos consecutivos de crescimento. Os apontamentos são do Índice de Reciclagem Mecânica de Plástico Pós-Consumo no Brasil, realizado pela MaxiQuim a pedido do Movimento Plástico Transforma.

Em 2023, o setor automotivo consumiu 71 mil toneladas de plástico reciclado, alta de 7,5% sobre o ano anterior. Já em 2024, o volume caiu para 67 mil toneladas, retração de 5,6%. Em 2025, foram 66 mil toneladas, queda de 1,5% na comparação anual. Ao todo, o setor acumula três anos consecutivos de retração após registrar altas de 7,5% e 40,4% nos dois anos anteriores.

Nesse cenário, iniciativas que incorporam o reaproveitamento de materiais à própria operação industrial ganham relevância. Ao transformar resíduos em matéria-prima para novos produtos, as empresas podem reduzir o descarte, diminuir a dependência de insumos virgens e conquistar maior autonomia produtiva.

Um exemplo é a Maximu’s Embalagens Especiais, com sede em Ribeirão Pires, no ABC paulista. Especializada no desenvolvimento de embalagens plásticas para os setores automotivo, hospitalar e eletrônico, a empresa tem na indústria automotiva sua principal frente de atuação, responsável por aproximadamente 50% de sua demanda. Há cinco anos, implantou uma extrusora recicladora e, desde então, já reaproveitou cerca de 1.200 toneladas de sobras de produção, reincorporando 100% desses resíduos ao processo industrial como matéria-prima para a fabricação de plástico bolha.

“Investimos em equipamentos de ponta capazes de transformar resíduos plásticos em matéria-prima para novos produtos. Isso significa reduzir o descarte, diminuir a dependência de matéria-prima virgem e obter ganhos econômicos que fortalecem nossa autonomia produtiva”, explica o CEO da Maximu’s Embalagens Especiais, Marcio Grazino.

Na época, o investimento total, incluindo a aquisição do equipamento e as adequações de infraestrutura necessárias para sua instalação, ultrapassou R$ 1 milhão. A extrusora passou por adaptações específicas para processar o polietileno expandido, material leve, com alto volume de ar incorporado e que exige cuidados próprios durante a reciclagem. Com funcionamento digital, o equipamento permite maior controle do processo e eficiência operacional.

Outro ganho está no tempo de processamento. Antes, quando o reaproveitamento era terceirizado, o ciclo podia levar até 40 dias. Com a operação internalizada, o prazo caiu para aproximadamente 24 horas, permitindo que o material retorne mais rapidamente à linha de produção.

Anteriormente à implantação do sistema, as sobras eram comercializadas como sucata e poderiam retornar à empresa como insumo reciclado, sujeito a variações de qualidade e custos logísticos. Ao internalizar a reciclagem, a Maximu’s passou a ter maior controle sobre as características da matéria-prima reaproveitada, reduziu a dependência de fornecedores externos e ganhou mais previsibilidade no abastecimento.

“Nosso objetivo é mostrar que é possível produzir de forma mais consciente e com menor impacto ambiental. Não se trata apenas de economia, mas também de uma mudança de cultura. Entendemos que o futuro da indústria passa pela sustentabilidade”, afirma Grazino.

REGULAMENTAÇÃO E ECONOMIA CIRCULAR

A busca por soluções de reaproveitamento também ganha relevância diante das novas exigências regulatórias. O Decreto Federal nº 12.688, publicado em outubro de 2025, regulamentou o sistema de logística reversa de embalagens plásticas e estabeleceu metas progressivas de recuperação e incorporação de conteúdo reciclado. Para 2026, a meta nacional de conteúdo reciclado incorporado às embalagens plásticas é de 22%, com implementação obrigatória escalonada conforme o porte das empresas.

Na avaliação do CEO da Maximu’s, o avanço da regulamentação reforça a importância de ampliar a capacidade de reciclagem e estruturar processos que permitam o retorno dos materiais à cadeia produtiva.

“O plástico é fundamental para inúmeras aplicações industriais e hospitalares. O desafio está na forma como o material é produzido, utilizado e destinado após o uso. Sem incentivo à reciclagem, logística reversa e educação ambiental, continuaremos tratando os sintomas, e não as causas. A indústria pode inovar e fazer sua parte, mas o avanço depende de regras claras, incentivos adequados e responsabilidade compartilhada. Só assim será possível ampliar essas soluções e gerar impacto significativo”, afirma.

Sobre a Maximu’s Embalagens Especiais - Presente no mercado desde 2003, a companhia é especializada no desenvolvimento de embalagens para proteção, acolchoamento e movimentação de variados produtos, com foco em diversos segmentos, como os setores automotivo, hospitalar e eletrônico. A sede da empresa fica localizada na cidade de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo e possui filial no município de Varginha, Minas Gerais.


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