Novembro de 2026 – Seis em
cada dez empresas da indústria brasileira (57%) implementam ao menos uma
prática de economia circular em seus processos produtivos. O dado é da Sondagem
Especial nº 102 – Economia Circular 2026, realizada pela Confederação Nacional
da Indústria (CNI), que aponta o avanço de iniciativas voltadas ao
reaproveitamento de materiais e à redução de resíduos no setor produtivo.
Apesar desse movimento, alguns
segmentos ainda enfrentam desafios para ampliar o uso de insumos reciclados. A
indústria automotiva, por exemplo, utilizou 66 mil toneladas de plástico
reciclado pós-consumo em 2025. O volume representa uma queda em relação às 67
mil toneladas registradas em 2024 e mantém uma trajetória de retração iniciada
após dois anos consecutivos de crescimento. Os apontamentos são do Índice de
Reciclagem Mecânica de Plástico Pós-Consumo no Brasil, realizado pela MaxiQuim
a pedido do Movimento Plástico Transforma.
Em 2023, o setor automotivo
consumiu 71 mil toneladas de plástico reciclado, alta de 7,5% sobre o ano
anterior. Já em 2024, o volume caiu para 67 mil toneladas, retração de 5,6%. Em
2025, foram 66 mil toneladas, queda de 1,5% na comparação anual. Ao todo, o
setor acumula três anos consecutivos de retração após registrar altas de 7,5% e
40,4% nos dois anos anteriores.
Nesse cenário, iniciativas que
incorporam o reaproveitamento de materiais à própria operação industrial ganham
relevância. Ao transformar resíduos em matéria-prima para novos produtos, as
empresas podem reduzir o descarte, diminuir a dependência de insumos virgens e
conquistar maior autonomia produtiva.
Um exemplo é a Maximu’s
Embalagens Especiais, com sede em Ribeirão Pires, no ABC paulista.
Especializada no desenvolvimento de embalagens plásticas para os setores
automotivo, hospitalar e eletrônico, a empresa tem na indústria automotiva sua
principal frente de atuação, responsável por aproximadamente 50% de sua
demanda. Há cinco anos, implantou uma extrusora recicladora e, desde então, já
reaproveitou cerca de 1.200 toneladas de sobras de produção, reincorporando
100% desses resíduos ao processo industrial como matéria-prima para a
fabricação de plástico bolha.
“Investimos em equipamentos de
ponta capazes de transformar resíduos plásticos em matéria-prima para novos
produtos. Isso significa reduzir o descarte, diminuir a dependência de
matéria-prima virgem e obter ganhos econômicos que fortalecem nossa autonomia
produtiva”, explica o CEO da Maximu’s Embalagens Especiais, Marcio Grazino.
Na época, o investimento total,
incluindo a aquisição do equipamento e as adequações de infraestrutura
necessárias para sua instalação, ultrapassou R$ 1 milhão. A extrusora passou
por adaptações específicas para processar o polietileno expandido, material
leve, com alto volume de ar incorporado e que exige cuidados próprios durante a
reciclagem. Com funcionamento digital, o equipamento permite maior controle do
processo e eficiência operacional.
Outro ganho está no tempo de
processamento. Antes, quando o reaproveitamento era terceirizado, o ciclo podia
levar até 40 dias. Com a operação internalizada, o prazo caiu para
aproximadamente 24 horas, permitindo que o material retorne mais rapidamente à
linha de produção.
Anteriormente à implantação do
sistema, as sobras eram comercializadas como sucata e poderiam retornar à
empresa como insumo reciclado, sujeito a variações de qualidade e custos
logísticos. Ao internalizar a reciclagem, a Maximu’s passou a ter maior
controle sobre as características da matéria-prima reaproveitada, reduziu a
dependência de fornecedores externos e ganhou mais previsibilidade no
abastecimento.
“Nosso objetivo é mostrar que é possível produzir de forma mais consciente e com menor impacto ambiental. Não se trata apenas de economia, mas também de uma mudança de cultura. Entendemos que o futuro da indústria passa pela sustentabilidade”, afirma Grazino.
REGULAMENTAÇÃO E ECONOMIA
CIRCULAR
A busca por soluções de
reaproveitamento também ganha relevância diante das novas exigências
regulatórias. O Decreto Federal nº 12.688, publicado em outubro de 2025,
regulamentou o sistema de logística reversa de embalagens plásticas e
estabeleceu metas progressivas de recuperação e incorporação de conteúdo
reciclado. Para 2026, a meta nacional de conteúdo reciclado incorporado às
embalagens plásticas é de 22%, com implementação obrigatória escalonada
conforme o porte das empresas.
Na avaliação do CEO da Maximu’s,
o avanço da regulamentação reforça a importância de ampliar a capacidade de
reciclagem e estruturar processos que permitam o retorno dos materiais à cadeia
produtiva.
“O plástico é fundamental para inúmeras aplicações industriais e hospitalares. O desafio está na forma como o material é produzido, utilizado e destinado após o uso. Sem incentivo à reciclagem, logística reversa e educação ambiental, continuaremos tratando os sintomas, e não as causas. A indústria pode inovar e fazer sua parte, mas o avanço depende de regras claras, incentivos adequados e responsabilidade compartilhada. Só assim será possível ampliar essas soluções e gerar impacto significativo”, afirma.
Sobre a Maximu’s Embalagens Especiais - Presente no mercado desde 2003, a companhia é especializada no desenvolvimento de embalagens para proteção, acolchoamento e movimentação de variados produtos, com foco em diversos segmentos, como os setores automotivo, hospitalar e eletrônico. A sede da empresa fica localizada na cidade de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo e possui filial no município de Varginha, Minas Gerais.
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