No ABC paulista, empresa reaproveita 100% dos resíduos plásticos e reintegra mais de 900 toneladas à produção

No ABC paulista, empresa reaproveita 100% dos resíduos plásticos e reintegra mais de 900 toneladas à produção

Maximu’s Embalagens Especiais investe mais de R$ 1 milhão em tecnologia de reciclagem interna e evidencia que economia circular é viável na indústria brasileira; mês de maio marca o Dia Mundial da Reciclagem

Maio de 2026 - Celebrado no dia 17 de maio pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o Dia Mundial da Reciclagem chega em um momento de paradoxos para o Brasil. Dados do levantamento do Movimento Plástico Transforma - iniciativa do PICPlast¹, da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) -, mostram que a produção nacional de plástico reciclado atingiu 1,012 milhão de toneladas em 2024, crescimento de 7,8% em relação ao ano anterior, com faturamento do setor chegando a R$ 4 bilhões. Ao mesmo tempo, o índice geral de reciclagem de resíduos sólidos urbanos no país ainda gira em torno de apenas 4,5%, muito abaixo da média de países com desenvolvimento econômico equivalente, que é de 16%.

Nesse contexto, a ausência de acordos globais efetivos sobre o ciclo de vida dos plásticos e as metas ainda distantes da Política Nacional de Resíduos Sólidos reforçam a urgência de iniciativas do setor produtivo. É justamente nessa lacuna que empresas brasileiras começam a mostrar o caminho.

A Maximu’s Embalagens Especiais, especializada no desenvolvimento de embalagens plásticas para os setores automotivo, hospitalar e eletrônico, com sede em Ribeirão Pires, no ABC Paulista, é um desses exemplos. Desde a implantação de uma extrusora recicladora, há cinco anos, a empresa já enviou para o processo de reutilização 952,5 toneladas das sobras geradas na fábrica. Com isso, 100% desses resíduos voltaram como matéria-prima para a fabricação de plástico bolha. A estratégia reduz a geração de resíduos, diminui a dependência de insumos virgens e contribui para ganhos operacionais, ambientais e econômicos.

“Iniciamos um projeto de reciclagem avançada com equipamentos de ponta que transformam resíduos plásticos em matéria-prima circular para novos produtos. Isso significa menos resíduos no meio ambiente, menor dependência de matéria-prima virgem e ganhos econômicos que fortalecem nossa autonomia produtiva”, explica o CEO da Maximu's Embalagens Especiais, Márcio Grazino.

O investimento total, somando o equipamento e as adequações de infraestrutura para comportá-lo, ultrapassou R$ 1 milhão. O equipamento passou por adaptações específicas para lidar com o polietileno expandido - material leve, rico em ar e de difícil reciclagem. Com funcionamento totalmente digital, permite controle preciso do processo e alta eficiência operacional. O ciclo completo de reaproveitamento, que antes levava até 40 dias quando terceirizado, hoje é concluído em aproximadamente 24 horas.

Antes dessa iniciativa, as sobras de produção eram vendidas como sucata no mercado - e frequentemente retornavam à empresa como insumo reciclado com qualidade inferior e custo logístico elevado. Ao internalizar o processo, a Maximu's ganhou autonomia sobre a qualidade do material reaproveitado, reduziu a dependência de fornecedores externos e blindou sua cadeia de produção contra os efeitos da escassez de matéria-prima virgem, um problema recorrente no setor. “Nosso objetivo é mostrar que é possível produzir de forma mais consciente e com menor impacto ambiental. E não se trata apenas de economia - é uma mudança de cultura. Nós entendemos que o futuro da indústria passa pela sustentabilidade", afirma Grazino.

A visão do executivo encontra respaldo nos dados mais recentes. A partir de julho de 2026, o chamado “Decreto do Plástico²”, editado pelo Ministério do Meio Ambiente, obrigará fabricantes de embalagens a incorporar ao menos 22% de conteúdo reciclado em seus produtos plásticos, sob pena de multas de até R$ 50 milhões. Para o CEO da Maximu's, a regulação vem no sentido correto, mas precisa ser acompanhada de uma mudança estrutural mais ampla.

“O plástico é fundamental para inúmeras aplicações industriais e hospitalares. O problema não está no material, mas na forma como ele é gerido. Sem incentivo à reciclagem, logística reversa e educação ambiental, continuaremos tratando sintomas, não causas. A indústria pode inovar e fazer a sua parte, mas o avanço real depende de um ambiente regulatório claro, incentivos adequados e responsabilidade compartilhada. Só assim será possível escalar soluções e gerar impacto significativo”, endossa Grazino.

A Maximu's já planeja os próximos passos de seu plano de sustentabilidade: a adoção de insumos biodegradáveis e a instalação de painéis solares para operar com energia 100% limpa e renovável estão entre as iniciativas previstas para os próximos anos.

Fontes: Aagenciabrasil.ebc.com.br e Abiplast (abiplast.org.br) — publicação oficial "Índices de Reciclagem Mecânica de Plásticos Pós-Consumo no Brasil 2025"¹

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/decreto/d12688.htm²

 

Sobre a Maximu’s Embalagens Especiais - Presente no mercado desde 2003, a companhia é especializada no desenvolvimento de embalagens para proteção, acolchoamento e movimentação de variados produtos, com foco em diversos segmentos, como os setores automotivo, hospitalar e eletrônico. A sede da empresa fica localizada na cidade de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo e possui filial no município de Varginha, Minas Gerais.

 

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